O conhecimento produzido dentro das organizações sempre foi um ativo. O que mudou foi a clareza sobre o risco de perdê-lo. Márcio Alaor de Araújo, empresário com foco em resultados e desenvolvimento organizacional, permite contextualizar por que a gestão do conhecimento passou a ocupar posição estratégica nas discussões sobre competitividade e continuidade dos negócios. À medida que os ciclos de rotatividade se aceleram e as mudanças tecnológicas tornam certas competências obsoletas com rapidez crescente, o conhecimento que existe apenas na cabeça de indivíduos específicos representa uma vulnerabilidade que poucas organizações podem se dar ao luxo de ignorar.
A seguir, veja por que o assunto tem despertado atenção crescente e quais são os pontos centrais dessa discussão.
O conhecimento que as organizações não sabem que têm
Uma das dimensões menos visíveis do problema é o conhecimento tácito: aquele que os profissionais possuem e aplicam cotidianamente, mas que raramente está documentado de forma que outra pessoa pudesse utilizar. Por isso, Márcio Alaor de Araújo expõe que saber como conduzir uma negociação com determinado tipo de cliente, conhecer as nuances informais de um processo que o manual descreve apenas em linhas gerais, compreender as dinâmicas relacionais que determinam como uma decisão é realmente tomada dentro de uma organização. Tudo isso existe e tem valor, mas não aparece em nenhum sistema.
Quando o profissional que detém esse conhecimento sai da organização, seja por pedido de demissão, por transferência ou por qualquer outra razão, o conhecimento vai junto. O custo operacional da perda raramente é imediato. Manifesta-se de forma gradual, em processos que passam a funcionar com menos eficiência, em erros que não seriam cometidos se determinado conhecimento estivesse disponível e em tempo gasto reconstruindo o que já havia sido aprendido.
Por que as organizações devem investir na sistematização do conhecimento crítico?
O capital intelectual acumulado por uma organização ao longo do tempo representa um dos ativos mais difíceis de replicar por concorrentes. Processos aprimorados por ciclos sucessivos de aprendizado, metodologias desenvolvidas a partir da experiência prática e redes de relacionamento construídas por profissionais específicos constituem formas de conhecimento organizacional que não aparecem no balanço, mas que determinam, em larga medida, a capacidade da empresa de entregar valor com consistência.

Conforme observa Márcio Alaor de Araújo, organizações que investem na sistematização e na transmissão do conhecimento crítico constroem uma base de capital intelectual que se torna progressivamente mais sólida ao longo do tempo. Ao contrário de ativos físicos, que se depreciam com o uso, o conhecimento bem gerido tende a se multiplicar quando compartilhado e a criar novas capacidades organizacionais a partir das combinações entre diferentes formas de saber.
Como as experiências passadas podem ser aproveitadas para criar uma organização que aprende?
A gestão do conhecimento, quando bem estruturada, cria as condições para que a inovação ocorra de forma mais consistente. Organizações onde o conhecimento circula livremente entre áreas e entre níveis hierárquicos tendem a identificar oportunidades de melhoria que permaneceriam invisíveis em ambientes onde a informação fica restrita a silos funcionais.
A aprendizagem empresarial que resulta desse ambiente não é apenas mais eficiente, mas mais duradoura. Conhecimentos que são discutidos, questionados e aplicados coletivamente tendem a ser internalizados de forma mais sólida do que aqueles que são transmitidos de forma unidirecional em treinamentos formais.
Márcio Alaor de Araújo resume que o desenvolvimento organizacional que se sustenta ao longo do tempo depende, em parte, da capacidade da empresa de aprender com suas próprias experiências e de preservar esse aprendizado de forma que continue sendo útil mesmo quando as pessoas que o geraram já não estão mais presentes. Esse é o fundamento de uma organização que aprende, e não apenas que opera.
