Dois fósseis encontrados no estado de Wyoming, nos Estados Unidos, levaram paleontólogos a identificar uma nova espécie de belemnite, grupo extinto de moluscos marinhos relacionado às lulas e aos polvos atuais. Batizada de Wyoteuthis linsterorum, a espécie viveu há aproximadamente 160 milhões de anos, durante o período Jurássico.
O que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi o formato do animal. Em vez do corpo alongado normalmente associado aos belemnites, os exemplares analisados apresentam uma estrutura interna muito mais larga e robusta. A aparência lembra um barril, característica que fez os cientistas classificarem a espécie como o belemnite mais “gordo” já identificado.
A descrição foi divulgada em 20 de outubro de 2026 e está baseada em um estudo publicado na revista científica Papers in Palaeontology. A descoberta também foi apresentada ao público pelo ScienceDaily, em material baseado em informações da Universidade de Manchester.
Fósseis preservam uma forma incomum
Os belemnites eram cefalópodes marinhos, assim como as lulas, os polvos e as sépias que existem atualmente. Embora seus tecidos moles raramente sejam preservados, esses animais deixaram no registro fóssil estruturas internas resistentes, conhecidas por sua forma alongada e semelhante à de um projétil. Essas peças são importantes para reconhecer diferentes espécies e acompanhar a evolução do grupo.
No caso de Wyoteuthis linsterorum, a estrutura preservada foge desse padrão. Os dois fósseis apresentam um esqueleto interno proporcionalmente mais largo, com uma conformação que indica um animal de corpo excepcionalmente robusto. A diferença não é apenas uma variação de tamanho: ela foi considerada suficientemente marcante para justificar a criação de uma nova espécie.
Os exemplares foram encontrados na Formação Sundance, uma unidade geológica do Wyoming que preserva vestígios de um antigo mar interior. Durante o Jurássico, essa área fazia parte de um ambiente marinho que cobria regiões do oeste dos Estados Unidos. Os fósseis foram posteriormente incorporados a coleções científicas e a exposições do Wyoming Dinosaur Center, em Thermopolis.
Uma linhagem rara entre os belemnites
A nova espécie pertence aos megateutidídeos, uma linhagem considerada rara dentro do registro fóssil dos belemnites. Segundo a pesquisa, sua presença também é relevante porque indica que esse grupo pode ter sobrevivido por mais tempo do que se imaginava anteriormente.
Belemnites são relativamente comuns em depósitos marinhos do período Jurássico, mas nem todos os grupos são igualmente bem conhecidos. A identificação de uma espécie com anatomia tão distinta amplia a variedade registrada entre esses cefalópodes e oferece novos dados para compreender como diferentes formas corporais surgiram em ambientes marinhos antigos.
O formato do fóssil não permite reconstruir todos os detalhes do animal, mas ajuda a formular hipóteses sobre seu modo de vida. A equipe considera possível que Wyoteuthis linsterorum tenha sido um predador de outros moluscos semelhantes a lulas. Essa interpretação, porém, é apresentada como uma possibilidade associada à anatomia, e não como uma observação direta do comportamento da espécie.
O que a descoberta revela sobre as lulas jurássicas
Os belemnites não eram lulas modernas, mas pertenciam ao mesmo grande grupo evolutivo dos cefalópodes. Por isso, fósseis como os encontrados no Wyoming ajudam a investigar a diversidade de animais que ocupavam os mares antes do surgimento das formas atuais.
A comparação entre estruturas internas também permite distinguir espécies que, em muitos casos, não deixaram registros completos do corpo. Como músculos, órgãos e tecidos externos raramente fossilizam, os paleontólogos dependem de elementos mais resistentes para identificar diferenças anatômicas. No novo estudo, a largura e a robustez do esqueleto interno foram fundamentais para reconhecer a singularidade do animal.
A descoberta mostra que a evolução dos cefalópodes jurássicos produziu formatos corporais mais variados do que a imagem tradicional dos belemnites alongados pode sugerir. Ao mesmo tempo, os fósseis reforçam a importância das coleções científicas e das formações geológicas do Wyoming para o estudo da vida marinha do passado. Wyoteuthis linsterorum agora passa a representar uma das formas mais incomuns conhecidas entre esses antigos parentes das lulas.
